Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. spies

30th May 2012

Photo reblogged from I'm a good girl with bad habits with 73 notes

Outra acordar, de camisa entreaberta e fruta descascada. Outra manhã, em que te apoderas das minhas camisas e comemos fruta aos pés da cama. Sobram mangas aos teus braços, o colarinho fede a mim, e não procuras sequer os botões. Mas é a camisa que procuras sempre, pela manhã. Só mais um dos teus devaneios, que nem tentas explicar-me. Passeias-te pela casa, em bicos dos pés, como se não te percorresse com o olhar. Como se não quisesse manter essa imagem, até à manhã seguinte. Manhã em que, curiosamente, largámos a minha camisa sobre o teu lado da cama.

Outra acordar, de camisa entreaberta e fruta descascada. Outra manhã, em que te apoderas das minhas camisas e comemos fruta aos pés da cama. Sobram mangas aos teus braços, o colarinho fede a mim, e não procuras sequer os botões. Mas é a camisa que procuras sempre, pela manhã. Só mais um dos teus devaneios, que nem tentas explicar-me. Passeias-te pela casa, em bicos dos pés, como se não te percorresse com o olhar. Como se não quisesse manter essa imagem, até à manhã seguinte. Manhã em que, curiosamente, largámos a minha camisa sobre o teu lado da cama.

Source: bella7

29th May 2012

Photo reblogged from thosepocketsarepeople with 13 notes

Sobressai o teu laço, os teus laços. Sobressai sobre quem te vê, sobre quem te sente. Apertas, com os dedos, todas as fitas que te percorrem. Crias laços sobre quem te fita, amarras os lábios contra os teus dentes. Afastas o cabelo dos teus laços, afastas o cabelo contra quem não te vê. Cospes laços sobre mim, entrelaçando-me, sem me tocar. Amarras, com correntes decoradas a vermelho. De ti vejo o teu laço, sobretudo quando não o usas.

Sobressai o teu laço, os teus laços. Sobressai sobre quem te vê, sobre quem te sente. Apertas, com os dedos, todas as fitas que te percorrem. Crias laços sobre quem te fita, amarras os lábios contra os teus dentes. Afastas o cabelo dos teus laços, afastas o cabelo contra quem não te vê. Cospes laços sobre mim, entrelaçando-me, sem me tocar. Amarras, com correntes decoradas a vermelho. De ti vejo o teu laço, sobretudo quando não o usas.

Source: thosepocketsarepeople

29th May 2012

Photo with 2 notes

27 “As mulheres sempre foram mais minuciosas na vingança — disse Bloom. Folheiam-na sem saltar uma página. E tratam das unhas antes de pegar no machado. Pelo contrário, um homem com raiva e ressentimento é atabalhoado, desastrado, incapaz de encontrar a pronúncia perfeita da violência, 28 como se pegasse em ferramentas despropositadas: a charrua para arrancar uma flor, o martelo para ver mais perto.” Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia

27 
“As mulheres sempre foram mais 
minuciosas na vingança — disse Bloom. Folheiam-na 
sem saltar uma página. E tratam das unhas 
antes de pegar no machado. 
Pelo contrário, um homem com raiva 
e ressentimento é atabalhoado, desastrado, 
incapaz de encontrar a pronúncia perfeita da violência, 

28 
como se pegasse em ferramentas 
despropositadas: a charrua 
para arrancar uma flor, 
o martelo para ver mais perto.” 

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia

29th May 2012

Photo reblogged from A minha Andorinha with 3 notes

aminhaandorinha:

à esquerda da vírgula , O coração.

aminhaandorinha:

à esquerda da vírgula , O coração.

Source: aminhaandorinha

29th May 2012

Video with 2 notes

28th May 2012

Photo reblogged from a woman in black is killing her cat with 1,413 notes

Da minha varanda não subo, em bicos dos pés, à regra. Da minha varando vejo disforme, cheiro dia. E giro, giro sobre mim, giro sobre a alegria, giro até à loucura. Vê, quem passa, ouve, quem pára. E eu giro, no mundo, que gira sobre mim. Da minha varanda não te vejo, nem te procuro. Não procuro ninguém. A minha varanda é minha. Na minha varanda giro, sobre mim. A minha varanda é um mundo, que gira.

Da minha varanda não subo, em bicos dos pés, à regra. Da minha varando vejo disforme, cheiro dia. E giro, giro sobre mim, giro sobre a alegria, giro até à loucura. Vê, quem passa, ouve, quem pára. E eu giro, no mundo, que gira sobre mim. Da minha varanda não te vejo, nem te procuro. Não procuro ninguém. A minha varanda é minha. Na minha varanda giro, sobre mim. A minha varanda é um mundo, que gira.

Source: you1anna

27th May 2012

Quote reblogged from ATRAVERSSIAMO with 393 notes

Every saint has a past and every sinner has a future.
— Oscar Wilde (via larmoyante)

Source: larmoyante

27th May 2012

Photo with 3 notes

Transpiras o equilíbrio das formas lineares. Respiras a complexidade de dois universos. Uma paradoxo de tangência, um esquadro partido. A ti o que é teu, a mim o que é teu. Sopro o egoísmo, afastas o cabelo. Agarras-me, sem que me mexa. Respiramos compassadamente, numa harmonia a preto e branco. A pele fala, sem conhecer qualquer língua. Sorris equilíbrio, sem que te estenda a mão.

Transpiras o equilíbrio das formas lineares. Respiras a complexidade de dois universos. Uma paradoxo de tangência, um esquadro partido. A ti o que é teu, a mim o que é teu. Sopro o egoísmo, afastas o cabelo. Agarras-me, sem que me mexa. Respiramos compassadamente, numa harmonia a preto e branco. A pele fala, sem conhecer qualquer língua. Sorris equilíbrio, sem que te estenda a mão.

27th May 2012

Photo reblogged from Bitch, I'm a Boss with 65,753 notes

Source: winnipegsummer

26th May 2012

Photo reblogged from cheiros de ti with 1,938 notes

Source: nudiarist

25th May 2012

Photo reblogged from cheiros de ti with 2,196 notes

A vida…            passa sem saberescontigo dentro

E quando dizes: sempre                     Ou sorris deitadade mando posta um vagarqualquer…

sabes bem que mentes e preferes esquecer…

A vida…
            passa sem saberes
contigo dentro

E quando dizes: sempre
                     Ou sorris deitada
de mando posta um vagar
qualquer…

sabes bem que mentes 
e preferes esquecer…

Source: thatwasmeseducingyou

25th May 2012

Photo reblogged from a certain romance with 395 notes

“Chega”, disse você.E, segundos depois, desprendidamente objectiva, enquanto voltámos a descer as escadas:“Foi bom.”A seguir, parando subitamente já num dos últimos degraus, e partindo ao meio um dos seus longos cigarros, atirou para o chão uma das metades e apenas acendeu a outra, aquela que ficava junto ao filtro:“Foi bom. Mas não vale a pena a gente estar-se a enganar.”

“Chega”, disse você.
E, segundos depois, desprendidamente objectiva, enquanto voltámos a descer as escadas:
“Foi bom.”
A seguir, parando subitamente já num dos últimos degraus, e partindo ao meio um dos seus longos cigarros, atirou para o chão uma das metades e apenas acendeu a outra, aquela que ficava junto ao filtro:
“Foi bom. Mas não vale a pena a gente estar-se a enganar.”

Source: sexcreto

23rd May 2012

Photo reblogged from thosepocketsarepeople with 9 notes

“não sei se os meus vizinhos se inquietarão ao aperceberem estes jogos ilícitosmas só estes me dão prazerenquanto escrevo, despontam corpos esbeltos dos vasospor entre as plantas e a loucuraonde o mais secreto desejo se mantém jovem.”

“não sei se os meus vizinhos se inquietarão ao aperceberem estes jogos ilícitos
mas só estes me dão prazer
enquanto escrevo, despontam corpos esbeltos dos vasos
por entre as plantas e a loucura
onde o mais secreto desejo se mantém jovem.”

Source: thosepocketsarepeople

23rd May 2012

Photo reblogged from A minha Andorinha with 77 notes

São as noites que transpiram pesar, é na noite que é logro o acordar. A noite afasta a turva vista das massas, o corajoso engano do mundo. À noite somos nus de máscara, despidos de vida. Só à noite falamos connosco, sem ouvir um grito. Gritamos, sem soltar os dentes. Durante a noite os espaços abrem-se, o peito fecha-se. Ficamos minúsculos, sem sentido a orientar. Pequenos, de lágrima em riste. À noite falta-nos tudo, quando não temos nada. Temos nada, mesmo quando temos tudo. Ouvimos o vento, sentimos a chuva, mesmo quando estes não estão sobre o luar. A noite afasta-nos da cama, quando nela temos a única solução. Voltar a acordar. 

São as noites que transpiram pesar, é na noite que é logro o acordar. A noite afasta a turva vista das massas, o corajoso engano do mundo. À noite somos nus de máscara, despidos de vida. Só à noite falamos connosco, sem ouvir um grito. Gritamos, sem soltar os dentes. Durante a noite os espaços abrem-se, o peito fecha-se. Ficamos minúsculos, sem sentido a orientar. Pequenos, de lágrima em riste. À noite falta-nos tudo, quando não temos nada. Temos nada, mesmo quando temos tudo. Ouvimos o vento, sentimos a chuva, mesmo quando estes não estão sobre o luar. A noite afasta-nos da cama, quando nela temos a única solução. Voltar a acordar. 

Source: aminhaandorinha